Por trás da Comupaixão.

A história por trás da comunidade que nasceu para transformar a solidão da clínica em cuidado compartilhado.

No fim de 2024, eu (Erika) e o Cláudio viajamos de carro de São Paulo ao sul da Bahia, rumo a Itupeva, sua cidade natal. Uma cidade pequena, com cerca de 1.200 habitantes, onde uma coisa fica evidente: a vida acontece por proximidade. As pessoas se reconhecem, se acompanham e, sem precisar nomear isso, ajudam a se regular. Ali, cuidado é padrão de funcionamento.

Na volta, tentando dar nome ao que tínhamos visto, lembramos das chamadas zonas azuis de longevidade, termo usado para descrever regiões do mundo em que as pessoas tendem a viver mais e com melhor qualidade de vida, com maior concentração de idosos que chegam a idades muito avançadas. O ponto central é este: quando pesquisadores observam esses lugares, não encontram um “segredo” único. Encontram um conjunto de condições repetidas no cotidiano: vida mais comunitária, senso de pertencimento, rotinas compartilhadas e redes de apoio que sustentam escolhas saudáveis ao longo do tempo.

Na Terapia Focada na Compaixão (TFC), isso tem um nome: segurança social. Temos cérebros sociais, moldados para responder a sinais de afiliação e segurança. Quando a conexão é confiável, o sistema de ameaça desacelera. E o sistema de calma ganha acesso. Aí, sim, fica possível pensar melhor, sentir com mais clareza e agir com mais sabedoria.

Essa lente se ampliou para a vida do psicoterapeuta. Profissionais competentes vivem sob pressão, autocobrança e, muitas vezes, solidão. Em contextos marcados por vergonha e autocrítica, o sistema de ameaça é ativado com facilidade: busca por controle, velocidade e certeza. O paradoxo é comum: o cuidado ao paciente avança enquanto o cuidado do terapeuta fica para trás, com custo em exaustão, dúvida persistente e perda de vitalidade.

A Comupaixão nasce como resposta: um ecossistema de formação e cuidado em Terapia Focada na Compaixão, com cursos, supervisão, mindfulness e comunidade, para ampliar repertório, sustentar a clínica e cultivar pertencimento.

Quem está por trás

Sou Erika Leonardo, psicóloga e doutora em Ciências pela USP.

Comecei na Terapia Cognitivo-Comportamental. Ajudava meus pacientes, porém percebia limites na sustentação das mudanças. Em 2015, iniciei a prática de mindfulness, realizei formações e passei a integrar essas intervenções ao consultório. 

Eu comecei estudar compaixão no budismo e autocompaixão no modelo da Kristin Neff. Já gostava e via resultados ao aplicar as técnicas, mas até então não sabia que exista um método terapêutico completo com tudo que estava aprendendo e mais. Foi assim que descobri a TFC, um modelo evolutivo e neurocientífico, baseado em evidência e me encantei. Resultado: potencializei minha prática pessoal de compaixão, consegui mais evolução com meus pacientes e uma clínica mais estável.

Desde então, busquei formação direta com Paul Gilbert e estudei com referências da TFC, como Chris Irons, Deborah Lee e Tobyn Bell. Levei o modelo evolutivo de cuidado e o treino da mente compassiva para a rotina do consultório. O resultado tem sido mudanças mais sustentadas, ancoradas na motivação de cuidado. Sou reconhecida como uma das referências em TFC no Brasil, apoiando psicólogos a aplicar esses princípios de forma prática, ética e segura em suas próprias abordagens.

Cláudio Souza é publicitário e cofundador da Comunidade Comupaixão. Atuou como criativo em grandes agências de Belo Horizonte e São Paulo, ajudando a construir marcas e narrativas com foco em comportamento, linguagem e cultura.

Desde 2008 vive em São Paulo, onde também desenvolve sua pesquisa como artista visual. Sua obra investiga deslocamento e linha: o andar como desenho, o rastro como imagem. A partir de percursos e memórias, traduz experiências em desenho, pintura, fotografia, vídeo e performance, criando um vocabulário plástico formado em grupos de estudo, cursos e mentorias.

Exibiu individuais no Alê Espaço de Arte (2024) e na Casa Fluída (2023), e participou de coletivas no Instituto Tomie Ohtake, Núcleo Contemporâneo (Madri) e outras. Alimenta-se de arte, cinema, filosofia e literatura.

O que nos guia

Compaixão como prática

Compaixão é treino da mente e do coração: notar sofrimento, escolher coragem e gentileza. No cotidiano da comunidade, você pratica, troca e sustenta a clínica.

Comunidade como cuidado

Comunidade é segurança social: vínculo confiável que acalma a ameaça e fortalece o sistema de cuidado. Você pertence, regula-se e segue acompanhado aqui.

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